Larissa Prestes e Silva

Paraná/ South of Brazil - January 1993.

Enquanto buscava Deus

Olhei apática
O rio corredor
Sorte do Lar
E senti o
Já conhecido
Farfalhar de
Folhas folgadas
Lançadas ao ar
Para perecer em
Fecundo terroso
Sangue.

Maravilhada
Em partes
Me fiz nua
Crua
Temperada à gosto
Servida para
Gozo lento
Sedenta de alento
Salgada nos
Braços mãe
Mar.

Desobedeci
Para rir
Contrariar
Xinguei alto
Bati mesa
Engoli toda
Sorte de corte
Pedaço de morte
Solta em pedreira
Nascente do
Século passado
Pecado a despertar.

E nada foi
Ao acaso
Impensado
À esmo levado
Cada ato
Sarcasmo
Tato
Minuciosamente calculado
Pelas mãos
Que moldam
Barro
Babá.

Sai forno
Quente feita
Al dente
Sem enlatado
Ou caixa pra
Impedir arado
Por isso
Bicho solto
Acuado
Desconfiado até
Pegar grado.

Quando escuto
Ao lado
Vozes cegas
Gritam assustado
Surdos ecos
De vida mau
Amado
Sina triste na
Rotina corrida vida
Três ônibus
Mais trabalho.

Enquanto buscava
Esqueci teu
Chamado
Vento vertendo
Sonhos de
Amor machucado
Confusa na labuta
Banco de dados
Absoluta em copo
Cheio
Prestes a ser
Esvaziado.

Presentemente
Te sirvo
Diariamente
Encontro Lua
Na noite pedinte
Clamando templo
Pro tempo
Suavemente sanar
É esse o presente
Anos de enfeite
Tardes vazias
Horas vívidas
Choro cantar
Dança em alívio
Se achega comigo
Vamos para casa
Velho amigo...
Lá há
Sossego no estar.
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